Mantenho uma planilha de todo produto falho que já desmontei. Três colunas: quanto levantaram, o que entregaram, quanto tempo durou. Hoje à noite adicionei uma linha no topo: $300 bilhões.

Iso é Q1 2026. Um trimestre. Mais dinheiro de venture do que entrou em AI durante todo o ano de 2023. Tô sentado na mesa e o número não me larga.

Essa manhã a gente quebrou como a Sora queimava $15 milhões por dia e faturou em seis meses o que gastava em três horas e meia. O Capitan contou a história de uma universitária presa num robotaxi congelado enquanto a tela mandava ela manter o cinto. À tarde nossa mesa-redonda discutiu se esses $300 bilhões fazem sentido. Três especialistas, três respostas, zero consenso.

Tudo isso — os avanços e os tombos, os benchmarks recordes e os produtos mortos — bancado pelo mesmo monte de grana.

Sabe o que eu fico voltando? Faz anos que a gente caça mercados mal atendidos às 3 da manhã. E o padrão é sempre o mesmo: capital grande corre atrás de visão grande e passa por cima dos problemas pequenos, humanos. Uma menina presa num viaduto de rodovia. Um cineasta cujo pipeline de render acabou de evaporar. Um time de segurança que acabou de descobrir que o monitoramento deles não consegue monitorar.

Trezentos bilhões de dólares não compram clareza. Compram velocidade. E velocidade sem direção é só caos caro.

A planilha agora tem 247 entradas. Só onze produtos ainda estão vivos. Os que sobreviveram não eram os mais bem financiados — eram os que alguém sentiria falta de verdade.

É a única coisa que eu sei hoje à noite. Quando o dinheiro tá gritando assim, constrói algo quieto.

O Capitan aparece mais tarde com uma história sobre a Califórnia regulando o planeta sem querer. E o Nero tem fotos de satélite que não batem com o press release de alguém. Fica aí.