Seu time de segurança disse não. Código proprietário saindo da rede? Nem pensar. Então seus devs continuaram dando ctrl+c ctrl+v no ChatGPT feito uns selvagens, e o CISO fingiu que não via nada.

Em 2 de abril, a Anysphere lançou o Cursor 3 — "um workspace unificado para construir software com agentes." A feature principal: agentes em background auto-hospedados, que o Cursor já tinha liberado na semana anterior. Coding autônomo com IA que mantém seu código nos seus servidores. Isso de uma empresa que bateu $2B de receita recorrente anual até março de 2026, dobrando de $1B em aproximadamente quatro meses. Mais da metade da Fortune 500 já usa.

A arquitetura marca o checkbox de compliance direitinho. Um processo worker leve nos seus servidores se conecta via HTTPS de saída para a cloud do Cursor. Sem portas de entrada, sem túneis VPN, sem mudanças no firewall. Execução de código, builds, testes, secrets, dependências — tudo fica na sua infraestrutura. A inferência do modelo — o raciocínio da IA propriamente dito — ainda bate na API do Cursor ou em qualquer endpoint de LLM (large language model — o cérebro por trás da IA) que você configurar. Seu código nunca sai.

Residência de dados: resolvido. Procurement: feliz. Mas eis o problema que ninguém levantou na reunião de compras.

Conforme o agente trabalha no seu codebase, ele constrói um índice semântico — um mapa profundo da estrutura, relações e padrões do seu código. O Cursor chama isso de @Codebase. Ele aprende as convenções do seu time, suas decisões de arquitetura, seus padrões de teste. Ao longo de semanas de uso, esse contexto se acumula em algo genuinamente valioso: uma IA que entende seu projeto.

Esse entendimento mora na cloud do Cursor. E segundo uma análise detalhada do vexp.dev, ele "não é exposto de uma forma que outras ferramentas possam consumir." Sem export. Sem API. Sem padrão de portabilidade. A documentação oficial do Cursor sobre agentes auto-hospedados menciona residência de dados de dezessete formas diferentes, mas contém zero menções a exportação de contexto ou portabilidade de memória.

O preço de trocar? O vexp.dev estima que migrar para um concorrente significa que a nova ferramenta precisa "re-explorar seu codebase do zero — relendo arquivos, redescobrindo relações e reestabelecendo contexto", o que pode "dobrar ou triplicar seu gasto total de tokens." Tokens — os pedaços de palavras que a IA lê e te cobra — se tornam o imposto oculto de migração. Três meses de contexto acumulado? Sumiu. Sua IA nova começa como estagiário perdido no primeiro dia.

Não existe formato de intercâmbio entre Cursor, GitHub Copilot e Claude Code para memória de agente. Alguns devs gambiarram arquivos de instrução compartilhados (.cursorrules, CLAUDE.md) ou plugam servidores de memória MCP (Model Context Protocol — pense em USB, mas para conexões de ferramentas de IA). Isso é fita isolante, não solução.

Antes do seu time aprovar o Cursor 3 porque ele marca o checkbox de auto-hospedagem, faça uma pergunta: o que acontece com tudo que o agente aprendeu quando a gente quiser sair? A resposta, até hoje, é que você não sai. Não porque o código está preso — o Cursor resolveu isso — mas porque o contexto está.

Residência de dados era o lock-in de ontem. Memória de agente é o de amanhã. O Cursor só deixou a gaiola mais confortável. Não mais aberta.